ALERTA CONTRA SURTOS DE DOENÇAS EVITÁVEIS POR VACINAS É LIGADO NA BAHIA

O surto de H3N2 que assusta Salvador e cidades da região metropolitana deixou um ensinamento: não dá para relaxar com a gripe, doença com alta taxa de transmissibilidade e grandes chances de mutações. E também ligou o sinal de alerta para os efeitos do relaxamento no uso de máscaras e no distanciamento social combinados à baixa adesão à vacina contra o vírus Influenza. Segundo o balanço mais recente da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), apenas 58% do público-alvo da capital havia completado o esquema vacinal até novembro.

Mas não é apenas a gripe que pode provocar surtos em cidades baianas. Especialistas temem que a queda na cobertura das vacinas oferecidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) no Brasil e na Bahia contribua para a disseminação de doenças controladas ou, até mesmo, erradicadas no passado. Mesmo as doenças que, diferentemente da gripe e da covid-19, são prevenidas apenas com imunização.

Uma delas é o sarampo, que chegou a ser erradicado do Brasil em 2016, mas que voltou a manifestar ocorrências em 2019 – inclusive na Bahia. O estado teve surto ativo da doença até o ano passado. O sarampo pode ser evitado com o imunizante tríplice viral, disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que também protege contra a rubéola e a caxumba. A baixa taxa de imunização e os recentes episódios preocupam o infectologista e pesquisador da Fiocruz, Guilherme Ribeiro.

“As doenças que têm vacinas disponíveis no calendário vacinal têm essa cobertura porque têm potencial de transmissão muito alto. Então, sarampo, rubéola, febre amarela, catapora, hepatite A, rotavírus, essas doenças podem causar surtos muito rapidamente entre pessoas não vacinadas. Se a gente deixa a cobertura vacinal da população reduzida, a gente abre espaço para o aumento na transmissão”, adverte.

Nove vacinas constam no calendário básico infantil: BCG, Rotavírus Humano, Meningocócica C, Pentavalente, Pneumocócica, Poliomielite, Hepatite A, Febre Amarela e Tríplice Viral. De acordo com dados do Sistema de Informação do PNI, a Bahia não consegue bater as metas de cobertura (acima de 95%) de nenhuma delas desde 2016.

Com exceção de 2020, quando superou a meta da BCG, Salvador segue a mesma tendência. Ainda com dados do levantamento do PNI, a adesão mais baixa no ano de 2019 foi registrada em relação ao imunizante que previne a febre amarela: 64,8% das crianças receberam a vacina no estado e 60,75% na capital. No entanto, a meta para a vacina é de 100% de acordo com o Ministério da Saúde (MS).

Esses dados preocupam o técnico da coordenação estadual de imunização, Ramon Saavedra. “É um fenômeno global, a Bahia também acompanha essa queda, especialmente desde 2016. E nos preocupa porque baixas coberturas vacinais significam o acúmulo de pessoas não protegidas. É como se deixássemos as portas e janelas escancaradas para o vírus entrar, e, certamente, se manifestar numa forma de surto ou epidemia, que pode sobrecarregar o sistema de saúde”.

 

Fonte: Correio 24h | Foto: Getty Images

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