FIM DO BOMPREÇO? O QUE ESTÁ POR TRÁS DO FECHAMENTO DE LOJAS EM SALVADOR


O especialista ressalta ainda que as mudanças são feitas após estudos. “Foram feitos novos estudos sócio-demográficos para ver qual a melhor bandeira para operar em cada um desses pontos, de acordo com o perfil do público e o potencial de consumo. Isso justifica o fechamento de algumas lojas, assim como a troca de marca”, explica Acilio Marinello. “É um movimento para potencializar a receita por loja e reduzir os custos”, resume.
Em outubro, foi anunciado que o Carrefour contratou o Banco de Investimentos Bradesco (BBI) para assessorar a negociação de lojas do Bompreço, no Nordeste, e da Nacional, na região Sul do país. Serão 65 lojas vendidas, sendo 18 delas no Nordeste, de acordo com informações do jornal Valor Econômico.Antes disso, 10 unidades do Bompreço já haviam sido vendidas ao Grupo Mateus, do Maranhão. Apesar de não ter lojas em Salvador, a varejista inaugurou unidades em três cidades baianas: Juazeiro, Teixeira de Freitas e Jacobina. A reportagem questionou se há planos da rede Mateus inaugurar unidades na capital, mas a empresa não se manifestou. BOICOTE Enquanto fecha lojas em Salvador, o Grupo Carrefour, que tem origem francesa, enfrenta uma delicada situação nacional. Na semana passada, a JBS, um dos principais frigoríficos brasileiros, interrompeu o fornecimento de carne ao Carrefour. A ação foi uma resposta ao boicote anunciado pelo CEO da rede às carnes dos países que compõem o Mercosul. A Masterboi realizou a suspensão de 250 toneladas de carne aos supermercados da marca.Na última quarta-feira (20), Alexandre Bompard, CEO global do Carrefour, anunciou o boicote como forma de solidariedade ao agronegócio da França, que tem se posicionado contra o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Para os franceses, os produtores da América do Sul teriam vantagens competitivas por não seguirem as legislações rígidas da Europa. Para o economista Acilio Marinello, o efeito na vida dos brasileiros deve ser a diminuição da oferta de carne nas lojas do grupo Carrefour, que nega o desabastecimento. “A carne é um produto altamente perecível. Os estoques que os supermercados têm hoje devem durar, no máximo, quatro a sete dias”, avalia.
Correio 24 horas
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